segunda-feira, 29 de junho de 2009

DESDÉM


Sentir o que se sente tendo o eco pela frente
É chorar no vazio
pra quem não ouve,
Não vê, nem sente
É encher de amor os braços
E a vida vir pra puxar o tapete
Dar de si até o que não se tem

Criando no ato de amar o próprio bem
Podar a árvore no pomar

Voltar na primavera pra ver

E... Nem a flor, nem ninguém...

Assim se vive...

Mal ou bem...

Com ou sem...

Sozinho ou com alguém...

Carcereiro ou refém...

Apesar do seu desdém...

Que me dói, que não faz bem...

Que me tortura não porque maltrata

Mas pelo silêncio que contém.


Carla Amarelle

sábado, 13 de junho de 2009

ELA

Uma lágrima rola em seu rosto - ela sofre
De repente um aperto no peito - ela sente saudades
Uma luz brilha em seu olhar - ela sorri
Seu coração está cheio de angústia - então chora
O tempo passa - ela ficou no passado
Todos cantam - ela não consegue ser feliz
Tudo está claro - ela vive numa intensa escuridão
Tudo é confuso - ela tem pesadelos
Há passos na escada - ela sente medo
O silêncio é profundo - ela está só
Sua mente está confusa - ela entra em pânico
Seu coração sangra - porque ela ama e não é amada

Carla Amarelle (na adolescência - 27.12.84)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

MATIZES MUSICAIS

Vida engraçada…
Me trouxe de volta o colorido
Num suspiro musical
Entre escalas, olhares e diminutas
Essências se reconhecendo...
Energias buscando fundir-se
Entrelaçavam-se entre os acordes, compassados ou não
Momentos raros... momentos quase eternos...
Cegava-me a luz daquele olhar
com suas doces nuances de mel, me levava pra outro lugar
Perdia-me sonhando, submersa na triste escala espanhola...
Aquela... que não esquecerei jamais!
O Si bemol me chamava à razão
E eu, louca ou não, me negava a voltar!
Sei lá! É aqui o meu lugar!
Burlei redemoinhos e desafiei furacões
Infiltrada na vida que pulsava no querer mais
Doce destino...
Acabei preenchida, presa na fusão tal qual céu e mar
Minha existência, que soava desarmônica,
ganhou o sopro da vida
Entre beijos, olhares, toques e suspiros...
Foi aí que recuperei os sentidos,
Mergulhando naquele verde olhar...
Assim... Na sombra de uma guitarra...
Sob a luz da cortina de nossos matizes musicais.

Carla Amarelle

SOB A LINHA DO EQUADOR











O que me revolta

Me revira do avesso
Me atravessa e
Me descalça em todo tropeço

Então busco a calma

Nos trapiches da vida
Me remexo por dentro
Até achar a saída

Diga o que quiser
O que sou é forte e vibra
Pense o que lhe convier
Sou uma mulher de fibra

Me procure amanhã ou depois
Não me perca de vista
Não tente me entender
Embarco agora e não mudo de pista

Batalhe meu irmão, se me quiser por perto
Faça a sua luta e me encontre depois
Ali naquela esquina...
Se estiver aberto...

Se assim não for, não dá nada não
Pegue a linha do horizonte e emoldure sua dor
Sufoque o gemido com o travesseiro
E logo após adormeça sob a linha do equador.

Carla Amarelle